segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


SONETO CXVI


Nada embaraça a união de almas amigas, nada.
Amor não é o amor que se afrouxa, se altera,
Perante alterações da criatura amada,
Ou se apaga e se esvai, como simples quimera.
Oh! não, jamais. O amor é um farol permanente
Que enfrenta os temporais, fazendo-se invencível;
É para o barco errante estrela perfulgente
De insolável valor, mas de altura medível.
Do tempo o Amor não tem fúria, ainda que faces
E lábios róseos há rente à sua foicinha.
Imarcescível, forte assim, vai, sem trespasses,
Com o ente amado, até a dor a extrema linha.
    Quem de falsos tachar os versos que ora digo,
    Não tem nem goza o amor do verdadeiro amigo.



WILLIAM SHAKESPEARE

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